Letra:
177João Batista do Vale nasceu em 11 de outubro de 1934 em Pedreiras, que fica a cerca de 245 km de São Luís e e morreu em 6 de dezembro de 1996, aos 62 anos, em São Luís. De origem humilde, se mudou para São Luís em 1947, em busca de uma vida melhor, mas já gostava de música. Com 13 anos de idade, vendia laranjas na capital e começou a compor músicas em grupo de bumba meu boi, mas precisou sair de São Luís para poder ter mais retorno financeiro com seu talento. Depois de passar por Teresina e outras cidades, finalmente João chega ao Rio de Janeiro, em 1950, onde teve o reconhecimento de seu talento e se tornou o ‘Poeta do Povo’.
No Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que trabalhava como ajudante de pedreiro em Ipanema, João seguia compondo baião, cantando e ocupando seu lugar de artista. Buscava nas rádios espaços onde apresentar sua música, e foi sendo aos poucos reconhecido. Teve músicas gravadas por intérpretes como Luiz Vieira, Dolores Duran e Luiz Gonzaga, compôs trilhas sonoras para o cinema, e estreou também como cantor. Além de brilhar como cantor, João é o autor de clássicos da música brasileira, como ‘Carcará’, imortalizada na interpretação de Maria Bethânia; Peba na pimenta, com Adelino Rivera; e Pisa na fulô, com Ernesto Pires e Silveira Júnior.
Em 1954, participou como figurante do filme “Mãos Sangrentas”, dirigido por Carlos Hugo Christensen. João do Vale conheceu Roberto Farias – na época assistente de direção, – que, ao se transformar em diretor, convidou o compositor para musicar alguns de seus filmes, como “No Mundo da Lua”, de 1958. Além disso, em 1969, ele comporia a trilha sonora de “Meu Nome é Lampião”, de Mozael Silveira.
Em 1962, Luiz Gonzaga gravou a canção “De Teresina a São Luiz”, que retrata a ferrovia São Luís-Teresina e, dois anos depois (1964), foi parte do que se tornou um dos maiores marcos da música de protesto brasileira: o show “Opinião”, com direção de Augusto Boal e texto de Oduvaldo Vianna Filho, Armando Costa e Paulo Pontes. Poucos meses após o golpe militar, que instaurou uma ditadura no Brasil, o show Opinião foi a primeira grande ação artística de contraponto ao novo regime, e permanece ainda como um dos momentos mais importantes da música popular no país. Com suas composições e sua voz, João se juntou a Zé Keti, Nara Leão e, posteriormente, a Maria Bethânia para contar sua história e falar da realidade do país, no que Augusto Boal chamou de “show-verdade”. Muitas das mais reconhecidas músicas de João do Vale foram apresentadas ao público no show Opinião: Carcará, Pisa na Fulô, Peba na Pimenta e tantas outras
Depois de se afastar do meio musical por quase dez anos, lançou, em 1973, “Se Eu Tivesse o Meu Mundo” (com Paulinho Guimarães) e, em 1975, participou da remontagem do Show “Opinião”, no Rio de Janeiro.
Em 1982 gravou seu segundo disco, ao lado de Chico Buarque, que, no ano anterior, havia produzido o LP “João do Vale Convida”, com participações de Nara Leão, Tom Jobim, Gonzaguinha e Zé Ramalho, entre outros.
No final dos anos 1980, o artista sofreu um derrame cerebral, que deixou sequelas. entre 1987 e 1990, precisando ficar em uma cadeira de rodas, e com capacidade de comunicação também reduzida.
Em 1995, Chico Buarque voltou a reverenciar o amigo, reunindo artistas para gravar o disco “João Batista do Vale”, com participação de Edu Lobo, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Alceu Valença, e do próprio Chico Buarque, e que foi Prêmio Sharp de melhor disco regional.
Por causa de sua obra, João do Vale é lembrado até hoje como uma figura-chave no cenário musical brasileiro. Em São Luís, um teatro se chama ‘João do Vale’, em sua homenagem. Já em Pedreiras, sua cidade natal, existe um memorial.
PRINCIPAIS DISCOS DA CARREIRA:
1965 – Poeta do Povo – Philips
1965 – Show Opinião (Com Zé Kéti e Nara Leão)
1981 – João do Vale – CBS
1982 – Ao Vivo (Com Milena) – CDB

