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Angela Rô Rô

Som, Meu Grande Som

Som, Meu Grande Som
Por Aquela Música

Angela Maria Diniz Gonsalves, mais conhecida como Angela Rô Rô nasceu no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1949. O apelido “Rô Rô” foi dado na infância por meninos do seu bairro devido a sua voz rouca.
Cantora, compositora e pianista brasileira, começou a estudar piano clássico aos cinco anos, influenciada por ícones como Elis Regina, Maysa, Jacques Brel e Ella Fitzgerald, a quem elegeria posteriormente como ídolos musicais. Angela Ro Ro foi considerada pela revista Rolling Stone a trigésima terceira maior voz da música brasileira e já foi gravada por vários artistas como Maria Bethânia, Ney Matogrosso, Marina Lima, Simone Bittencourt e Zélia Duncan.
Durante a década de 1970 (entre 1971 e 1974), no auge da ditadura militar brasileira, foi para a Europa após o pai pagar uma passagem de ida. A de volta, ela não sabe se não ganhou por falta de dinheiro ou porque ele simplesmente não queria mais vê-la. Foi primeiro para a Itália, onde conheceu o cineasta Glauber Rocha. Depois, mudou-se para Londres. Lá, foi faxineira num hospital, garçonete e foi lavadora de pratos num restaurante. Nessa época, já compunha, se apresentava em pubs e andava com hippies e squatters. Justamente por indicação de Glauber Rocha, em 1971, participou do álbum “Transa”, de Caetano Veloso, tocando gaita na música “Nostalgia (That’s what rock’n roll is all about)”.

Ao voltar para o Rio de Janeiro, apresentou-se em casas noturnas de espetáculos em Ipanema até ser contratada pela gravadora Polygram. O primeiro LP/Tape, lançado em 1979 exclusivamente com composições da cantora e intitulado simplesmente “Angela Ro Ro”, tornou-se um clássico da Música Popular Brasileira, ao abrigar numa mesma safra canções como “Gota de Sangue”, “Balada da Arrasada”, “Agito e Uso”, “Tola Foi Você” e “Amor, Meu Grande Amor” (que voltou à tona com a regravação da banda Barão Vermelho, em 1996).
O disco seguinte, “Só Nos Resta Viver”, trouxe a faixa-título e a regravação de “Bárbara” (Chico Buarque e Ruy Guerra), presente na peça de teatro “Calabar”, além de “Meu Mal é a Birita”, na qual a cantora fala sobre a fama de alcoólatra.
O trabalho seguinte, “Escândalo!” (1981), apresentou uma capa em formato de jornal, com o título como manchete, fazendo alusão à grande exposição de Ro Ro na imprensa por ter sido acusada de agressão pela então namorada, a cantora Zizi Possi. A canção “Escândalo” dá título ao álbum e foi composta por Caetano Veloso.
Duas características aliadas da persona pública de Angela Ro Ro são o temperamento forte e a tendência a escândalos. Numa das entrevistas, a cantora foi levada a abandonar a apresentadora Cidinha Campos durante o programa, devido às sucessivas perguntas pessoais, desviando o centro de atenção da entrevista. Ro Ro defendeu-se da entrevistadora argumentando que estaria “abusando” ao acusá-la de ser uma pessoa violenta e ao fazer alusões nada lisonjeiras sobre uso de drogas e comportamento errático.
Ainda nos anos 80, lançou “Simples Carinho” (1982), “A Vida é Mesmo Assim” (1984) e “Eu Desatino” (1985), sexto e último título da fase áurea e regular da discografia da cantora.

Entre o fim da década de 1980 e todos os anos 1990, Ro Ro gravou apenas dois discos: “Prova de Amor” em 1988, e “Ao Vivo – Nosso Amor ao Armagedon”, no ano de 1993.
Nos anos 2000, Angela decide largar as drogas, a bebida e o cigarro, e a fazer ginástica, perdendo cerca de 35 quilos e mudando radicalmente seu estilo de vida. Em 2000, lançou o CD “Acertei no Milênio”.
Entre 2004 e 2005, Angela foi convidada à apresentar o talk-show “Escândalo”, na emissora de TV a cabo Canal Brasil recebendo dezenas de colegas da MPB.
Em 2006, assinou contrato com a independente Indie Records, pertencente a Líber Gadelha (ex-marido da ex-namorada Zizi Possi e pai da cantora Luiza Possi), para a gravação do álbum de estúdio “Compasso” e o DVD “Ao Vivo”, gravado em um espetáculo no Circo Voador, na Lapa, em 20 de setembro de 2006.
Em 2008, participa do projeto “Loucos por música”, no qual dividiu palco com Ivete Sangalo, Elba Ramalho e Ana Carolina.
Em dezembro de 2009, a Descobertas e o Canal Brasil resgataram os áudios de canções gravadas no programa “Escândalo” com uma proposta intimista de voz e piano, apresentações pelo país, e em alguns deles, convidados especiais, como Sandra de Sá e Ana Carolina.

Angela assinou contrato com a gravadora Biscoito Fino no ano de 2013, com seu primeiro trabalho pela gravadora sendo o lançamento do CD e DVD ao vivo “Feliz da Vida!”.
Em 2017, lançou o CD “Selvagem” e, em setembro de 2018, estreiou o show “Pilotando o Piano”, onde tocava seus clássicos e hits como “Help me make it through the night” (Kris Kristofferson), “Me and Bobby McGee” (Kris Kristofferson e Fred Foster), “Summertime” (George Gershwin, Ira Gershwin e DuBose Heyward), “Smile” (Charles Chaplin, com letra de John Turner e Geoffrey Parsons) e “Honky tonk women” (Mick Jagger e Keith Richards).
Angela Ro Ro faleceu em 08 de setembro de 2005 e deixou uma obra consistente e muito apreciada pelos seus fãs e amantes da música popular brasileira.

PRINCIPAIS DISCOS DA CARREIRA:

1979 – Angela Ro Ro – Polydor
1980 – Só Nos Resta Viver – Polydor
1981 – Escândalo! – Polydor
1982 – Simples Carinho – Polydor
1984 – A Vida é Mesmo Assim – Polydor
1985 – Eu Desatino – Polydor
1988 – Prova de Amor – Estúdio Eldorado
1993 – Nosso Amor ao Armagedon (Ao Vivo) – Som Livre
2000 – Acertei no Milênio – Jam Music
2006 – Compasso – Indie Records
2006 – Angela Ro Ro Ao Vivo (CD e DVD) – Indie Records
2009 – Escândalo – Discobertas
2013 – Feliz da Vida! (Ao Vivo – CD e DVD) – Biscoito Fino
2017 – Selvagem – Biscoito Fino

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