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Aquela Música

A Música Medieval

A Pauta da Arte

Por volta do século IX apareceu a pauta musical, rompendo com a tradição até aquele instante de a música ser cultivada apenas por transmissão oral. Tudo começou com o monge italiano Guido d’Arezzo (995 – 1050) que sugeriu o uso de uma pauta de quatro linhas, cujo sistema é usado até hoje no canto gregoriano, a música sagrada da Igreja. A utilização do sistema silábico de dar nome às notas deve-se também ao monge Guido d’Arezzo e encontra-se numa melodia profana, hino que os meninos cantores entoavam ao padroeiro dos músicos São João Batista, para que os protegesse da rouquidão. Cada linha desta melodia começava com uma nota mais aguda que a anterior. Guido, mestre de coro da Catedral de Arezzo na Toscana, era encarregado do coro da escola por volta de 1030 e certamente conhecendo os progressos musicais e sendo ele próprio um músico inventivo, concebeu um sistema para aprender música de ouvido.
Durante o século XIX, o sistema de Guido foi adaptado para transformar-se no sol – fá tônico dos nossos dias, e usado para ensinar não músico a cantar música coral. Foi nessa época que alguns tons foram reformulados de modo a facilitar o canto. Ut tornou-se DÓ e Sa tornou-se SI (iniciais de Sancte Ioannes).
Mas, fazendo-se entender o que seria este sistema, é o tipo de música mais antigo que se tem conhecimento e que consiste em uma única linha melódica cantada, sem qualquer acompanhamento, cujo estilo é chamado de Cantochão ou Canto Gregoriano. Com o passar do tempo, acrescentou-se outras vozes ao Cantochão, criando-se as primeiras composições em estilo coral. Além do Cantochão, cantado nas igrejas, produziam-se na Idade Média muitas danças e canções. Durante os séculos XII e XIII, houve intensa produção de obras em forma de canção, composta pelos trovadores, poetas e músicos do sul da França e Itália. As danças eram muito populares em festas e feiras e podiam ser tocadas por dois instrumentos, com um grupo mais numeroso. Os instrumentos que acompanhavam estas danças incluíam a viela (antepassado da família do violino), o alaúde, flautas doces de vários tamanhos, gaitas de foles, o trompete reto medieval E instrumentos de percussão, como tambores, além de sinos e triângulos.

PRINCIPAIS COMPOSITORES MEDIEVAIS:

Além do nome de Guido d´Arezzo, outros compositores se destacaram na época medieval da música, como é o caso dos nomes abaixo:

Léonin – Foi o primeiro mestre do coro da catedral e escreveu muitos organa ( plural de organum). O organum é a primeira manifestação da música polifônica, com duas ou mais linhas melódicas. As primeiras composições neste estilo (sec. IX) eram formadas por um cantochão (vox principalis), ao qual era acrescentada uma outra voz, em um intervalo de quarta ou quinta superior, chamada de vox organallis, duplicando a voz principal.

Pérotin – Compositor francês, a quem se atribui a criação da polifonia a quatro vozes. Pérotin foi o sucessor de Léonin e trabalhou em Notre Dame de 1180 até cerca de 1225, na função de mestre de coro. Revisou muitos organa anteriores e fez modificações nas partituras, a fim de deixá-los mais modernos. Pérotin enriqueceu estes organa, acrescentando-lhes mais vozes. Assim, a um organum duplum, ele poderia acrescentar uma terceira voz ou até mesmo uma quarta voz.

Guillaume de Machaut – Compositor e poeta francês, Guillaume era cônego da catedral de Reims e foi secretário de João de Luxemburgo, rei da Boêmia. Sua obra musical é considerada um dos pontos culminantes da arte do século XIV. Guillaume de Machaut é autor de poemas líricos, baladas, danças, motetos e da famosa Messe Notre Dame, a primeira missa polifônica. Guillaume de Machaut é considerado o maior músico da Ars Nova, período que compreende toda música composta entre 1300 até 1600. O estilo da Ars Nova é mais expressivo e refinado, seus ritmos mais flexíveis e a polifonia mais evoluída.

John Dunstable – Compositor, astrônomo e matemático inglês, foi o incentivador da Ars Nova na Inglaterra. Sua produção é principalmente religiosa: Motetos, hinos, antífonas e missas. Depois de esquecido durante séculos, foi valorizado modernamente pela sua qualidade de invenção melódica. Em sua obra destacam-se os motetos Veni Sancte Spiritus e Quam pulchra es.

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