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Zé Kéti

Diz Que a Música Foi Por Aí
Por Aquela Música

José Flores de Jesus, conhecido como Zé Keti, nasceu na cidade do Rio de Janeiro aos 16 de setembro de 1921, no bairro de Inhaúma – zona Norte, e faleceu na mesma Rio de Janeiro em 14 de novembro de 1999. Filho de Josué Vale da Cruz, um marinheiro que tocava cavaquinho, cresceu ouvindo as cantorias do avô e do pai. Dono de um temperamento tímido, seu pseudônimo veio do apelido de infância “Zé Quieto” ou “Zé Quietinho”.

Em 1924, foi morar em Bangu na casa do avô, o flautista e pianista João Dionísio Santana, que costumava promover reuniões musicais em sua casa, das quais participavam nomes famosos da música popular brasileira como Pixinguinha, Cândido das Neves, entre outros. Após a morte do avô, em 1928, mudou-se para a Rua Dona Clara. Cantou o samba, as favelas, a malandragem e seus amores.
Zé começou a atuar na década de 1940, na ala dos compositores da escola de samba Portela e, entre 1940 e 1943, compôs sua primeira marcha carnavalesca: “Se o Feio Doesse”. Em 1946, “Tio Sam no Samba” foi o primeiro samba de sua autoria foi gravado pelo grupo Vocalistas Tropicais. Em 1951, obteve seu primeiro grande sucesso com o samba “Amor Passageiro”, parceria com Jorge Abdala gravado por Linda Batista na RCA. No mesmo ano, seu samba “Amar é Bom”, parceria com Jorge Abdala foi gravado na Todamérica pelos Garotos da Lua.

Em 1955, sua carreira começou a deslanchar quando seu samba “A Voz do Morro”, gravada por Jorge Goulart e com arranjo de Radamés Gnattali, fez enorme sucesso na trilha do filme “Rio 40 Graus”, de Nelson Pereira dos Santos. Neste filme, trabalhou também como segundo assistente de câmera e ator. Outro sucesso na anos cinquenta, foi “Leviana”, que também foi incluído no mesmo filme de Nelson Pereira dos Santos, diretor com o qual trabalhou também no filme “Rio Zona Norte”, de 1957.
No ano de 1962, idealizou o conjunto A Voz do Morro, do qual participou e que ainda contava com Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Anescarzinho do Salgueiro, Jair do Cavaquinho, José da Cruz, Oscar Bigode e Nelson Sargento. O grupo lançou três discos.

Em 1964, participou do espetáculo “Opinião”, ao lado de João do Vale e Nara Leão, que o levou ao concerto que tornou conhecidas algumas de suas composições, como “Opinião” e “Diz Que Fui por Aí” (esta em parceria com Hortêncio Rocha). No ano seguinte, lançou “Acender as Velas”, considerada uma de suas melhores composições. Esta música inclui-se entre as músicas de protesto da fase posterior a 1964. A letra deste samba, criado pelo relato dramático do dia-a-dia da favela também foi gravado por Nara Leão e Elis Regina que fizeram um enorme sucesso com o lançamento desta canção.

Também em 1964, gravou pelo selo Rozemblit um compacto simples que tinha a música “Nega Dina”. Nessa mesma época, recebeu o troféu
Euterpe como o melhor compositor carioca e, juntamente com Nelson Cavaquinho, o troféu O Guarany, como melhor compositor brasileiro. Com Hildebrando Matos, compôs em 1967 a marcha-rancho “Máscara Negra”, outro grande sucesso, gravada por ele mesmo e também por Dalva de Oliveira, foi a música vencedora do carnaval, tirando o 1º lugar no 1º Concurso de Músicas para o Carnaval, criado naquele ano pelo Conselho Superior de MPB do Museu da Imagem e do Som e fazendo grande sucesso nacional.

Nos anos seguintes, viveu um período de esquecimento na música do Brasil. Durante a década de 1980, Zé Kéti morou em São Paulo. Em 1987, no início de julho, teve o primeiro derrame cerebral.
Nos anos 90, voltou a morar no Rio com uma das filhas e continuou compondo, cantando e lançou um disco em 1996 (“75 Anos de Samba”), com participação de Zeca Pagodinho, Monarco, Wilson Moreira e Cristina Buarque. Este CD foi produzido por Henrique Cazes, com quatro músicas inéditas e vários sucessos antigos. Nesse mesmo ano, subiu ao palco com Marisa Monte e a Velha Guarda da Portela e interpretou com enorme sucesso alguns clássicos do samba, como “A Voz do Morro” e “O Mundo é Um Moinho”, de Cartola, entre outros sucessos.

Em 1997, recebeu da Portela um troféu em reconhecimento pelo seu trabalho e participou da gravação do disco “Casa da Mãe Joana”. Em 1998, ganhou o Prêmio Shell pelo conjunto de sua obra que tem mais de 200 músicas. Nesta noite foi homenageado por muitos músicos da Portela, entre eles, Paulinho da Viola, Élton Medeiros, Monarco e a própria Velha Guarda, em show dirigido por Sérgio Cabral e encenado, em noite única, no Canecão do RJ.
Zé Keti morreu de falência múltipla dos órgãos aos 78 anos, mas deixou um legado precioso para a música brasileira.

PRINCIPAIS DISCOS DA CARREIRA:

1965 – Show Opinião (Com Nara Leão e João do Vale) – Philips
1967 – Sucessos De Zé Kéti – Mocambo
1971 – Zé Ketti E Seus Sucessos – CID
1979 – Identificação – Continental

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