Detalhes do Artista/Banda

Titãs

Sonora Ilha

Titãs, banda de pop-rock brasileira, foi formada em São Paulo, na década de 1980 e a maioria dos integrantes da banda se conheceu no Colégio Equipe, em São Paulo, no final da década de 1970. A partir de uma apresentação na Biblioteca Mário de Andrade no ano de 1981, passaram a fazer shows em várias casas noturnas da cidade. Antes do surgimento dos Titãs do Iê-Iê (primeiro nome da banda, cujo primeiro show aconteceu no Sesc Pompéia, em São Paulo, em 1982), os integrantes da banda já tocavam em vários grupos: Arnaldo Antunes e Paulo Miklos eram parte da banda Performática, Nando Reis era percussionista da banda Sossega Leão, Branco Mello, Marcelo Fromer e Tony Bellotto formavam o Trio Mamão e as Mamonetes, o qual chegou a se apresentar na televisão, num programa em que Wilson Simonal, após a apresentação dos 3 garotos, disse que eles precisavam evoluir e que tinham um gosto mais moderno. Sérgio Britto e Marcelo Fromer também chegaram a se apresentar no Chacrinha, sendo “gongados” cantando a música “Eu Também Quero Beijar”, sucesso de Pepeu Gomes. Mas os Titãs tornou-se uma das maiores bandas do Brasil ao lado de outras importantes como Legião Urbana, Os Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho. No ínicio, a banda contava com visual extravagante com penteados estranhos, maquiagens e ternos coloridos, além de gravatas de bolinhas. Além disso, a primeira formação contava com 9 integrantes,sendo eles Arnaldo Antunes, Branco Mello, Marcelo Fromer, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Tony Belloto, Ciro Pessoa e André Jung, dos quais 6 deles eram vocalistas. Arnaldo, Ciro e Branco eram apenas vocalistas. Sérgio Britto cantava e tocava teclado em algumas músicas. Paulo Miklos e Nando Reis se revezavam no baixo e cantava, Tony e Marcelo tocavam guitarra e violão respectivamente e André Jung tocava bateria.
Em 1984, Ciro Pessoa decidiu sair da banda, e logo após isso, a banda assinou com a gravadora WEA e gravaram seu primeiro disco, já com o nome oficial de Titãs. Nesse disco homônimo estão grandes sucessos da banda como “Sonífera Ilha”, que foi a música mais tocada nas rádios brasileiras em 1984, rendendo ao grupo diversas apresentações em programas de músicas, como O Cassino do Chacrinha, por exemplo. Outro grande sucesso deste LP foi “Toda Cor”, além de uma das mais importantes da história da banda: “Marvin”, que, embora faça parte desse disco, não fez sucesso naquele momento, fato que ocorreria quatro anos mais tarde, quando os Titãs lançaram uma versão mais técnica e melhorada da música. O mesmo fato aconteceria com outra faixa do disco: “Go Back”.
Após um show no Rio de Janeiro, no final de 1984, os Titãs decidiram substituir o baterista André Jung por Charles Gavin. Há tempos a banda não estava satisfeita com a forma com que André tocava e, conforme a insatisfação com ele aumentava, crescia também a admiração por Charles Gavin, baterista que estava naquele momento ensaiando com o RPM e que também já tinha feito parte do grupo Ira!. Com a decisão da banda, André voltou para São Paulo e, dois dias depois, entrou para o grupo Ira!. Outro músico que não ficou satisfeito foi Paulo Ricardo, que descobriu que Charles Gavin tinha saído do RPM ao assistir um programa de TV, que mostrava a preparação do Titãs para um show, já com Charles entre seus integrantes. Este fato deixou um clima tenso entre o baixista e vocalista do RPM e o novo baterista dos Titãs.
Em 1985, Os Titãs gravaram seu segundo disco: o álbum “Televisão”, produzido por Lulu Santos, que colocou a faixa-título nas rádios, além da música “Insensível”. Em novembro deste mesmo ano, Tony Bellotto e Arnaldo Antunes foram presos (o primeiro por porte e o segundo por porte e tráfico de heroína). Bellotto foi libertado sob fiança. Arnaldo Antunes, por sua vez, permaneceu atrás das grades por mais tempo, sendo libertado após um mês. O episódio teve um grande impacto na banda. Ofertas de shows escassearam e os Titãs perderam sua aura de “inocência” diante da mídia.
Após esses acontecimentos, os Titãs entraram novamente em estúdio, cuja principal mudança veio na parte da produção do disco, que ficou a cargo de Liminha, o principal produtor da época. As relações entre a banda e o produtor não eram das melhores, devido a uma declaração de Branco Mello de 1985 em que dizia que “todos os discos que Liminha produzia pareciam iguais” e também “que era bom mesmo que Liminha não produzisse a banda”. O produtor, ao saber disso, não perdeu a chance de jogar as declarações na cara da própria banda, antes de aceitar assumir o projeto. Após o mal-entendido, o grupo e o produtor iniciaram uma grande parceira, que também se repetiria nos próximos três discos da banda. Liminha conseguiu fazer com que a banda colocasse em disco todo o peso dos shows. Também foi o primeiro produtor que realmente teve coragem de sugerir mudanças em algumas faixas, coisa que até aquele momento a banda não aceitava.
Em Junho de 1986, saiu o disco “Cabeça Dinossauro”, trabalho que mais tarde, em 1997, seria considerado pela conceituada revista Bizz como o melhor disco de pop-rock produzido no país. O disco trouxe a banda mais pesada e mais agressiva em suas letras, com influência punk e letras contundentes que não poupavam as principais instituições da sociedade brasileira (retratadas em letras de “Estado Violência”, “Polícia”, “Família” e “Igreja”). Devido ao tom agressivo, “Cabeça Dinossauro” foi praticamente barrado nas rádios e na televisão, porém a situação começava a mudar. Após um começo de turnê desapontador (shows para 30 ou menos pessoas), as apresentações cada vez mais agressivas passaram a atrair milhares de pessoas. O marketing espontâneo não demorou muito e, por fim, os Titãs ganharam seu primeiro disco de ouro. Sem outra alternativa, as emissoras se renderam ao sucesso e começaram a tocar. Algumas se davam ao luxo de pagar multas para tocar as faixas censuradas, como “Bichos Escrotos”.
Era dessa forma que os Titãs estavam no ano de 1987. O último disco era aclamado por público, crítica e artistas de várias estirpes da música, como Caetano Veloso e Renato Russo. A glória e a descoberta de novos caminhos sonoros estimulou a banda a entrar em estúdio para gravar seu 4º disco, “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas”. O LP trazia Lado J e Lado T, ao invés dos tradicionais lados A e B, na intenção que o público não ouvisse automaticamente o lado onde estariam apenas os grandes sucessos. A utilização de samplers e bateria eletrônica foi constante nas primeiras 7 faixas do disco, causando grande revolução sonora. Dentre as faixas, destacam-se a faixa-título, “Corações e Mentes” e “Comida”, enquanto as outras seguiam a linha ditada pelo disco anterior, como em “Lugar Nenhum” e “Desordem”. O disco seguiu o ritmo de vendas do disco anterior, e colocou de vez os Titãs entre as grandes bandas nacionais, graças ao sucesso da parceria com Liminha. O produtor chegou a ser considerado o “9º titã”, devido às participações em shows do grupo paulista.
Após algumas apresentações internacionais, a banda gravou ao vivo uma seleção de músicas antigas e lançou o álbum “Go Back”, em 1988. O auge da parceria Titãs-Liminha consolidou-se em “Õ Blésq Blom”, uma das produções mais populares até então. Seus principais sucessos eram “Miséria”, “Flores”, “O Pulso” e “32 Dentes”. Um dos destaques curiosos deste trabalho foi a participação especial do casal de repentistas pernambucanos Mauro e Quitéria, descobertos pela banda numa praia de Recife.
Lançado em 1991, na baixa do mercado fonográfico brasileiro oriunda da crise econômica do governo Fernando Collor de Mello, “Tudo ao Mesmo Tempo Agora” foi um baque para os críticos, defensores incondicionais da banda. O disco marca uma retomada da estética de “Cabeça Dinossauro”, no entanto mais cru, com mixagem irregular e canções escatológicas. Num arroubo de confiança, os próprios integrantes produziram o disco e o fracasso comercial do trabalho foi possivelmente o estopim para a saída de Arnaldo Antunes, que passou a se dedicar a uma carreira solo.
“Titanomaquia” de 1993 continuou o trabalho anterior, com uma instrumentação “pesada” e letras escatológicas, mas com a novidade de contar com a produção de Jack Endino, produtor de bandas importantes como o Nirvana, Soundgarden e Skunkworks, 3° álbum solo de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden. A mídia se mostrou mais receptiva, mas as vendagens continuaram modestas.
Após passar o ano de 1994 de férias, os Titãs voltaram em 1995 para lançar um novo disco. “Domingo” saiu em 1996 e trouxe um Titãs menos escatológico, porém com um som ainda pesado. O disco serviu para que a banda acabasse com os rumores de que iria se separar.
Em 1997, para comemorar os 15 anos de carreira, a banda aceitou participar do projeto Acústico MTV. O CD e DVD, gravado no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, chegou ao impressionante número de 1,7 milhões de cópias, mostrando um lado desconhecido do grupo: os sete integrantes, junto com o produtor Liminha, tocando instrumentos desplugados, em ritmo menos barulhento. Além de ser o Acústico mais vendido do Brasil, também contou com grupos de cordas e metais. O disco também trouxe várias participações especiais: o cantor argentino Fito Paez e o reggaeman Jimmy Cliff, além das cantoras Marisa Monte, Marina Lima e Rita Lee. As duas últimas, gravaram sua participação em estúdio. Destaque também para o ex-titã Arnaldo Antunes, que também participou do disco na canção “O Pulso”. Para a crítica e a maioria dos antigos fãs, esse foi o último disco considerado bom da banda. O sucesso do disco foi bastante refletido nos dois discos seguintes.
Aproveitando-se do sucesso do disco anterior, a banda lançou em 1998 “Volume Dois”, uma espécie de continuação do “Acústico”, com releituras de outros sucessos e faixas inéditas. Entre os principais destaques estavam as inéditas “Sua Impossível Chance” e “Amanhã Não Se Sabe” e a releitura de “Insensível”, do segundo disco da banda. Porém, o boom veio com a regravação de “É Preciso Saber Viver”, um antigo sucesso de Roberto Carlos, que consolidou o ótimo desempenho do álbum, que chegou a 800 mil cópias. A crítica mostrou-se menos receptiva, chegando a alegar que a banda teria se vendido ao mercado. Mas a banda recebeu o Troféu Imprensa do mesmo ano, como Melhor Conjunto Musical de 1998.
Em 1999, veio o disco “As Dez Mais”, o primeiro trabalho inteiramente não-autoral. Com dez faixas, sendo regravações de cantores como Tim Maia, Roberto Carlos e Raul Seixas, e bandas como Legião Urbana e Ultraje a Rigor. “As Dez Mais” também teve sucesso de vendas, com 500 mil cópias, porém a crítica não gostou. A maior parte das críticas foi contra a regravação de “Pelados Em Santos”, sucesso dos Mamonas Assassinas que ajudou a alavancar as vendas dos Titãs. Outros também disseram novamente que a banda havia “se vendido” ao mercado.
Em 2001, Os Titãs assinaram com a Abril Music e estavam prestes a iniciar a gravação de mais um trabalho. Porém, no dia 11 de Junho de 2001, o guitarrista Marcello Fromer foi atropelado por uma moto em São Paulo e morreu dois dias depois. Pensou-se na época que a morte de Fromer seria o fim da banda. João Augusto, então diretor da Abril Music, chegou a declarar que concordaria com qualquer decisão, caso a banda anunciasse uma possível separação. Porém, eles decidiram seguir em frente. Fromer era o responsável pela guitarra base da banda. Com o início das gravações de “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana”, houve dúvidas sobre a gravação: Tony Bellotto, guitarrista solo, pensou em gravar todas as guitarras do disco, porém mudou de ideia. Chegou-se a propor que Paulo Miklos e Branco Mello se revezassem no instrumento, porém a decisão final foi convidar o músico Emerson Villani, que já tinha tocado com a banda durante alguns shows e turnês, inclusive substituindo Marcelo no ano de 1998, quando ele foi convidado para comentar a Copa do Mundo FIFA de 1998 pelo canal SporTV. O repertório permaneceu inalterado: as 16 faixas já haviam sido escolhidas antes da morte de Fromer e o maior destaque do CD foi “Epitáfio”.
Nando Reis, o baixista, declarou em 2002 que não se sentia preparado para gravar mais um disco com a banda, alegando que as mortes do guitarrista Marcelo Fromer e também da cantora Cássia Eller, grande amiga do músico, ainda o abalavam muito. Na ocasião, a saída foi oficializada, ainda que o baixista nunca tenha dito aos companheiros que estava pulando fora. O processo de separação já existia desde 1993, quando Nando não conseguiu se adaptar ao estilo pesado do disco “Titanomaquia”, ao mesmo tempo em que gravava com artistas da MPB. No dia 9 de setembro, a banda e o músico lançaram comunicados no site oficial falando sobre as razões da separação.
Em 2003, Os Titãs lançaram o disco “Como Estão Vocês?”. O disco não vendeu tanto quanto o último, porém seguiu a linha pop/rock, que a banda assumira no disco anterior. Recentemente, em 2005, lançou o quarto disco ao vivo de sua história, e o primeiro gravado no Brasil, “MTV Ao Vivo”, com algumas músicas dos 25 anos de história da banda e com as inéditas “Vossa Excelência” (composta em meio ao Escândalo do Mensalão), “Anjo Exterminador” e “O Inferno São Os Outros”.
Em 2007, os Titãs completam 25 anos de carreira, comemorados com uma série de shows junto com os Paralamas do Sucesso, que também completam 25 anos de carreira. A série de shows, que se estendeu pelo ano de 2008, culminou em um espetáculo realizado na Marina da Glória, Rio de Janeiro, em janeiro de 2008, e lançado em CD e DVD intitulado “Paralamas e Titãs: Juntos e Ao Vivo”.
Em 2009, após 6 anos sem lançar um disco de estúdio (o mais longo período da carreira da banda), na primeira quinzena de junho de 2009 foi lançado “Sacos Plásticos”, produzido por Rick Bonadio e lançado por sua gravadora, a Arsenal Music (com distribuição da Universal Music). O disco marca a entrada da banda em um novo selo, depois de seis anos pela Sony BMG. Os dois primeiros singles do disco são “Antes de Você” e “Porque Eu Sei Que é Amor”, ambas na voz de Paulo Miklos. As canções foram incluídas nas trilhas sonoras de duas telenovelas da Rede Globo: “Caras & Bocas” (19h) e “Cama de Gato” (18h), respectivamente. Aliás, por falar em trilha, a trama das 18h da Globo, ainda tem como tema de abertura “Pelo Avesso”, do disco “Como Estão Vocês?”, de 2003, na voz de Sérgio Britto.
Neste mais de 25 anos de estrada, a banda se transformou bastante, seja em suas formações, seja com seus produtores ou mudando de gravadoras. Porém, permanece vivo e vigoroso o jeito de fazer música – com intenção comercial ou não – recriando e reinventando seu próprio som, incursando por trilhas diferentes, mas complementares de uma história longa e vitoriosa, deixando claro ao público e à crítica musical do Brasil que Os Titãs são mesmo para sempre.

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