Detalhes do Artista/Banda

Francisco Mário

Malabarista da Canção

O compositor e violonista Francisco Mário Figueiredo Souza nasceu no dia 22 de agosto de 1948 em Belo Horizonte, Minas Gerais. Filho de Henrique José de Souza e Maria da Conceição, a Dona Maria, que ficou conhecida através das cartas do Henfil no “Pasquim” e na “Isto É”. Tinha sete irmãos: Betinho (o sociólogo), Henfil (o cartunista), Glorinha, Filó, Wanda, Tanda e Ziláh. Dedicou-se à música depois de ter estudado economia, engenharia e de ter atuado como jornalista no jornal O Estado de S. Paulo e como crítico musical na revista Realidade. Estudou violão com o professor Henrique Pinto e criou o método de música em cores para crianças, aplicando técnicas dramáticas e músicas folclóricas brasileiras, sendo utilizado em várias escolas de São Paulo (para onde mudou-se em 1966) e em cursos para professores. Em 1978 radicou-se no Rio de Janeiro, onde teve aulas de arranjo e teoria musical com Roberto Gnattali. Lançou o primeiro LP, “Terra”, independente, em 1979, com participações de Joyce, Quarteto em Cy, Antonio Adolfo, Airton Barbosa, Chiquinho do Acordeon e outros. Ativista desde os anos 60, quando participou de manifestações estudantis, engajou-se na luta pela produção fonográfica independente, ao lado de nomes como Antonio Adolfo, Danilo Caymmi e a dupla Luli e Lucinda. Foi um dos artistas que mais lutaram contra o poder e o monopólio das grandes gravadoras, sendo um dos fundadores da Associação do Produtores Independentes de Discos e Fitas e autor do livro “Como Fazer um Disco Independente”.
Como cantor e compositor, lançou em 1980 “Revolta dos Palhaços”, LP que se baseava no esquema alternativo de pré-vendas (era vendido antes mesmo de estar pronto, e o dinheiro era usado na produção). No ano seguinte, depois de uma bem-sucedida viagem ao México, onde apresentou-se no 5º Festival de Oposición, gravou ao lado de Francisco Julião o disco “Versos e Viola”, vetado pela censura na época. Em 1983, foi a vez do instrumental “Conversa de Cordas, Palhetas e Metais”, disco que ganhou o Prêmio Chiquinha Gonzaga. Simultaneamente, publicou um livro de poemas chamado “Painel Brasileiro”. Participou de festivais nos anos 80 e lançou “Pijama de Seda” (85), também instrumental, e “Retratos” (86), um passeio por diferentes ritmos brasileiros.
No final de 86, descobriu que contraíra o vírus da Aids em uma transfusão de sangue decorrente da hemofilia. Em 87 compôs, numa fazenda, seus últimos trabalhos, “Dança do Mar”, “Suíte Brasil” e “Tempo”. Com o agravamento da doença, diversos artistas realizaram no fim de 87 um grande show no Rio de Janeiro em homenagem ao compositor. A iniciativa repetiu-se em janeiro de 88 em Belo Horizonte, com participação de artistas mineiros. O disco “Dança do Mar” foi lançado postumamente, em show com participação de Raphael Rabello, Mauro Senise, Galo Preto e outros. Parte de sua obra foi relançada em CD nos anos 90 nos Estados Unidos e no Brasil. Francisco Mário deixou muita esperança, muita luta, muitas críticas, três filhos sua companheira e produtora Nivia Souza, e mais de 80 músicas em 39 anos de vida.

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