Detalhes do Artista/Banda

Edith Piaf

Frágil Vida, Forte Canto

Édith Giovanna Gassion, nasceu em 19 de dezembro de 1915 no bairro de Belleville na cidade de Paris e foi a mais talentosa cantora do estilo francês conhecido como chanson. Ficou conhecida primeiramente como La Môme Piaf por conta de seu descobridor que assim a chamou comparando-a a um pequeno pardal (piaf numa expressão francesa). Seu canto expressava (e até quis assim Raymond Asso, importante pessoa em sua vida artística) sua história de vida. Entre seus maiores sucessos estão “La Vie en Rose”, gravado no ano de 1946, “Hymne à L’amour” (1949), “Milord” (1959), “Non, Je ne Regrette Rien”, de 1960 (música que ela entendeu como perfeita para descrever sua vida e que gravou quando já estava bastante doente), entre tantos outros sucessos conhecidos em todo o mundo.
Sua mãe Annetta Giovanna Maillard, era de ascendência italiana e, também artista, cantava nas ruas e em cafés, usando o pseudônimo de Line Marsa. Seu pai, separado da mãe pela guerra, chamava-se Louis-Alphonse Gassion e tinha como profissão principal a de contorcionista de circo, possivelmente por conta de não ter dado certo como ator. Ainda criança, Édith foi deixada por sua mãe – que pensava em obter sucesso em Constantinopla – com a avó materna, que não cuidava bem da menina. Pouco tempo depois, seu pai, voltando da guerra, encontrou-a enferma e tirou-a do convívio da avó materna, levando para a mãe dele cuidar da pequena Édith para que ele pudesse voltar a servir o Exército Francês. Este é um período marcante na vida de Piaf porque foi nesta época que ela conheceu Titine, prostituta que fez o papel que a mãe e as avós não conseguiram.
A avó paterna, dona de bordel, inevitalvelmente, submeteu Édith ao contato com prostitutas e seus clientes, o que ocasionou um profundo impacto em sua personalidade e sobre sua visão em relação à vida. Aos seus 7 ou 8 anos, ela perde momentaneamente sua visão por razão de uma queratite. Junto com as moças do bordel – em especial a jovem Titine, defensora de Édith – ela foi ao túmulo de Santa Teresa do Menino Jesus na cidade de Lisieux para pedir que a santa a curasse da doença nos olhos. Oito dias depois desta visita, Édith estava curada, o que a fez se tornar devota daquela santa. Porém, em 1919, ocorre mais uma separação na vida de Piaf: seu pai volta da guerra e leva Édith consigo. A partir daí, a menina passa a acompanhar seu pai em sua vida artística como contorcionista de circo. Não demorou muito, o pai ficou desempregado e a pequena Édith, com 9 anos de idade, estava cantando pelas ruas, enquanto o pai se apresentava como contorcionista. Por volta dos 17 anos, ela conheceu e se apaixonou por um jovem chamado Louis Dupont com quem teve uma filha (Marcelle, que morreu aos 2 anos, vítima de meningite), criança que não recebeu muitos cuidados de Édith, que já cantava em bares da periferia de Paris, embora sua carreira profissional tenha começado mesmo em 1935, quando conheceu Louis Leplée, dono do cabaré Le Gerny’s. Foi ele quem a iniciou na vida artística e a batizou de “La Môme Piaf”, por conta de sua baixa estatura. A propósito, na noite de estréia de Piaf no Le Gerny’s, Leplée, fez uma enorme campanha, o que gerou a aparição de várias celebridades.
As apresentações em cabarés possibilitou a ela gravar seus dois primeiros discos nesse mesmo ano de 35, sendo um deles escrito por Marguerite Monnot, que Piaf conheceu no cabaré de Leplée e que veio a se tornar sua parceira musical e uma grande amiga por toda sua vida. No ano seguinte, Piaf assinou contrato com a Polydor e lançou seu primeiro disco “Les Mômes de La Cloche”, grande sucesso de público. Mas em abril deste mesmo ano, Leplée foi assassinado em seu apartamento e Piaf foi interrogada pela polícia francesa e até mesmo acusada de cúmplice neste crime, embora tenha sido absolvida. Soube-se, na verdade, que Laplée foi morto por bandidos que tiveram, num passado não muito distante, laços com Piaf, o que gerou uma atenção negativa sobre ela por parte da mídia. Para reerguer sua imagem, Édith procurou Raymond Asso, produtor exigente e duro com quem ela teve até um relacionamento afetivo. Foi Asso quem mudou o nome artístico dela de “La Môme Piaf” para “Édith Piaf” e ensinou-a a se comportar como atriz quando interpretava, explorando todos os recursos que uma artista do porte de Édith podia oferecer num palco. Em março de 1937, Édith fez sua estréia como cantora de música de salão, e se tornou imediatamente uma grande vedette da Chanson francesa, adorada pelo público e difundida pela rádio. Ainda na década de 30, Piaf triunfou na Bobino (famosa casa de dança de salão parisiense) e no teatro (em 1940) na peça Le Bel Indifférent, que Jean Cocteau escreveu para ela. Nesta peça, ela contracenou com seu então companheiro, o ator Paul Meurisse que ela conheceu em sua primeira noite na La Gerny´s.
A partir desta época, ela passa a conhecer mais pessoas famosas como o poeta Jacques Borgeat e na primavera de 1944, em Paris, ela descobre o jovem cantor Yves Montand, que viria a se tornar seu parceiro e amante. Em um ano, ele se tornou um dos cantores mais famosos da França. Assim Piaf acabou desfazendo a relação que tinha com ele quando ele se aproximou de atingir tanto sucesso quanto ela. Outra situação semelhante aconteceu também com Charles Aznavour. Neste mesmo ano, o pai de Piaf morreu e ela também perdeu sua mãe logo no ano seguinte (1945). Porém, na parte musical, auxiliada por compositores, Édith começou a compor e, em 45, escreveu um de seus grandes trabalhos: “La Vien en Rose” (gravada no ano de 1946), que é uma das mais célebres canções de Piaf. Durante esse tempo ela estava fazendo muito sucesso em Paris e em toda França. Após a guerra ela se tornou famosa internacionalmlente, excursionando pela Europa e América do Sul, além dos Estados Unidos. Entretanto, de início, ela se deparou com pouco sucesso entre o público norte-americano. Como tudo na vida de Piaf, o sucesso nos EUA foi mesmo difícil e só veio depois de uma brilhante matéria de um conceituado crítico de teatro de Nova Iorque. Piaf viu seu sucesso crescer ao ponto de sua popularidade fazê-la se apresentar oito vezes no famoso programa Ed Sullivan Show e duas vezes no Carnegie Hall. Ela ajudou, inclusive, a decolar a carreira de Charles Aznavour no começo dos anos 50, levando-o a realizar uma turnê com ela pelos EUA e pela França, além de gravar algumas músicas dele.
Nesta temporada na América, Piaf conheceu o pugilista Marcel Cerdan, com quem iniciou o seu mais tórrido romance. Este caso de amor rendeu um filme em 1983 (“Édith et Marcel”, de Claude Lelouch), até hoje bastante lembrado. Entretanto, um acidente de avião tirou a vida deste que é tido como o grande amor da vida de Piaf e razão dela viver. Após a morte de Marcel, Édith Piaf teve sua abalada saúde – já desde a infância – seriamente afetada. A perda do grande amor, os traumas de um acidente de carro em 1947 que a deixou dependente de morfina, da qual fez tanto uso para aplacar suas dores e a vida pouco regrada (com muitos excessos, na verdade), fizeram a artista fenomenal iniciar sua derrocada rumo à morte, que chegou aos 47 anos, numa noite de 9 de outubro de 1963, em Grasse, na Costa Azul (Côte d´Azur) francesa. A pequena grande Édith está enterrada no cemitério do Pére-Lachaise, um dos mais conhecidos da capital francesa. Na época do sepultamento de Piaf, uma multidão comovida a acompanhou até seu túmulo, dando vivas a estrela, numa das poucas vezes em que Paris viu tanta gente reunida em homenagem a uma celebridade. Hoje em dia, o túmulo de Piaf é um dos mais visitados por turistas do mundo inteiro. Na ficção, a vida de Édith Piaf foi magistralmente interpretada pela atriz Marion Cotillard no filme “La Môme” (Piaf – Um Hino ao Amor” – versão em português), de 2007, sob direção de Olivier Dahan. Além de Marion, a película traz outros grandes astros como Gérard Depardieu, no papel de Louis Leplée e Style Testud, como Momone, a grande amiga de Édith. O filme mostra quão forte foi o canto de Piaf e tão frágil sua vida.

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